O começo

fevereiro 02, 2016
Em Junho de 2015 realizei minha última compra em uma fast-fashion, diferente de muitas pessoas que não se envolvem com a fabricação da peça (ou ignoram a existência dela), eu estou ciente da cadeia de produção há muito tempo. Mas tinha um sério problema de consumo, gerado por tantas coisas que preferia deixar escondidinhas ali. Comprar virou um modo de passar o tempo, esquecer os problemas. Sabe o que é mais irônico? Aquela peça que parecia tão certa naquele momento, muitas vezes deixa de ser no primeiro uso ou as vezes nem há esse uso e a peça fica lá no guarda-roupa com a etiqueta esperando ser usada.

Ouvi tantas vezes que a mulher faz essas "coisas" porque faz parte dela ser assim, e foi com isso que levei minha vida pensando que ser consumista fazia parte de quem eu era. Mas não é assim. A Ana Haddad fala bem porque temos tanta dificuldade em comprar menos, afinal somos nós constantemente bombardeadas com informações de como devemos ser e essa mulher inclui ser sexy porém não tanto, ser arrumada porém não muito. (Spoiler: Essa mulher não existe)
Dessa forma fui levando as coisas mesmo sabendo que elas não estavam certas, até que em junho de 2015, 3 coisas mudaram todo o trajeto da minha vida e abriram a porta daqueles sentimentos que eu estava escondendo por trás de tantos pensamentos de consumo. As 3 coisas: Um lugar, uma exposição e uma peça.

O lugar: Alemanha. Nesse meu começo de viajante já pude conhecer alguns lugares, mas nada vai me marcar tanto quanto a Alemanha. Ir em um lugar onde tudo que você sempre achou errado (mas seus pais te ensinaram que era certo) sendo considerados errado, foi o gatilho que precisava para entender que a vida pode ser muitas coisas e que não existe apenas um caminho a ser seguido. Ainda não sei exatamente o que mudou, mas toda a preocupação com o lixo, o incentivo do país para reciclagem e diminuição dele, assim como a vivência de estar em um lugar onde ninguém está nem aí para você, foi extremamente libertador.

Acidente em Bangladesh numa fábrica de roupas que causou a morte de mais de 1000 pessoas
Uma exposição: Essa exposição.
Fui no MK&G com o intuito de ver a exposição Tatuagem, nem sabia que estava acontecendo uma sobre a dualidade do fast e slow fashion. Sabe coisa de destino? Foi assim que senti, saí de lá me sentindo bem merda porque dentro de mim eu tinha a certeza que meu estilo de vida não estava de acordo com o que eu acredito.

Uma peça: A Saia. Como é de se esperar, mesmo com todas as informações na minha cabeçinha eu ainda fui comprar no trio: H&M, Primark e Mango. Naquele momento me senti muito consciente pois havia comprado "pouco", mas aí te conto a história dessa saia. Ela era muito bonita, parecia ser de um tecido de boa qualidade e custava apenas alguns euros, eu olhei para ela e sabia que poderia usar bastante pois era um modelo bem clássico e que cai bem em mim. Pois bem, comecei a usar no dia seguinte. Até que no fim do dia notei a saia desgastada, cheia de bolinhas. Detalhe: Ela não tinha nem sido lavada.

Eu precisei de 3 coisas acontecerem para que finalmente pudesse mudar o rumo, senti na pele como as roupas de fast-fashion são realmente feitas para descarte e apenas pensado na compra. Sim, eles só querem o seu dinheirinho, nada mais. Mal sabia que esse pequeno passo de consumo mudaria tudo.
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