O que significa um produto feito de maneira ética?

janeiro 16, 2017

Já levantei diversas vezes aqui a bandeira da produção ética, mas nunca expliquei realmente o que esse nome significa, né? Pode parecer que é a mesma coisa, mas uma marca sustentável, slow ou feito eticamente são conceitos diferentes e por isso é tão importante estarmos atentos a isso.

O rótulo da produção ética começou na verdade como uma diferenciação para esclarecer que o produto foi feito sem nenhuma exploração humana. Em países de terceiro mundo como Bangladesh e Cambodia, a menos que a marca realmente faça um trabalho de empoderamento regional, produza de maneira pequena e esteja em constante contato com os trabalhadores, é quase garantido que houve exploração para a produção do item.

Quando falamos então de industrias multinacionais, onde seu maior foco é o lucro e tudo é feito de maneira terceirizada, sem um real controle sobre essa produção, fica claro que o produto veio de trabalho escravo.



Bom, existem vários modos de um trabalho receber essa classificação: Seja por abuso psicológico e /ou físico, horas exaustivas, salários míseros, é fácil reconhecer essa situação. O trabalho escravo, como vocês sabem, existe há muito tempo e por mais que em muitos países, como o nosso por exemplo, existam leis que proíbam essa exploração, mesmo assim elas continuam acontecendo.

Não é preciso ir em cidades muito distantes para ver trabalho escravo, já que aqui mesmo em São Paulo foram divulgados casos de marcas bem conhecidas como M.Officer, Riachuelo e o grupo GEP (donos da Emme, Luigi Bertolli, Cori) e como não é novidade para ninguém, é só dar uma volta na região do Bom Retiro para ver muitas marcas com preços absurdamente baixos devido a exploração de imigrantes, em sua maioria bolivianos, que vem ao nosso país com a esperança de algo melhor.

Por mais que a moda seja um dos assuntos mais focados quando é falado sobre a exploração da mão de obra nos dias atuais, produtos como café, chocolate e eletrônicos também são em sua maioria provindos desse negócio e por isso devemos ficar tão atentos a marcas que querem fazer diferente (também sempre tem a opção de comprar itens usados!).



Deveria, mas não vem. Quando falamos sobre essa indústria que continua existindo, acredito que a "culpa" seja dividida entre a marca, o consumidor e o governo. Pode parecer um pouco chocante, mas a responsabilidade do consumidor não deve ser diminuída, afinal o produtor só tem seu foco no lucro, e se as pessoas continuam comprando, ele continua produzindo. Por isso que é tão importante nos informarmos, tornarmos consciente do nosso consumo e assim não ficar como peões da indústria que infelizmente boa parte está focada nos números crescendo. O governo também deveria se impor e tem esse direito, como o caso recente da França que já declarou futura punição para empresas que decidirem manter essa forma de produção, em sua maioria pelas marcas de fast fashion.





Uma produção ética se atenta a todas as etapas de seu processo de produção, para que eles sejam feitos todos de forma segura e digna aos seus trabalhadores e envolvidos. No exterior, essa prática é conhecida pelo nome de fair trade (comércio justo). Existem certificações que podem comprovar ainda melhor a origem do produto, como a Fair Trade IBD, Fair Trade Labelling Organization Internacional (FLO)Comércio Justo Ecocert, entre outras. Infelizmente, a maioria dos produtos certificados do comércio justo no Brasil são de alimentos, o que dificulta um pouco a confiança que podemos ter com marcas de outras indústrias.



A melhor chave é se informar. No Netflix já temos disponível o documentário The True Cost, que é bastante informativo sobre toda a produção de indústria da moda, desde a exploração dos países de terceiro mundo até os danos ecológicos que são consequência de produzir dessa maneira tão rápida e descartável. Também tem o documentário Sweatshop: Deadly Fashion e se tiver interesse na produção de outros produtos, é só dar uma procurada que tem muito conteúdo bom na mágica internet.

Depois de adquirir informações, é essencial questionar as marcas que você goste e admira para que possam mudar e saber que os seus consumidores exigem uma mudança de atitude sobre isso. Também é muito válido diminuir o consumo, reaproveitar o que tem, comprar ou trocar usado e por fim procurar por marcas pequenas (quanto mais locais e maior o contato com o criador, melhor) como as que eu cito e faço curadoria no guia de marcas aqui do Living Slow.

Mais sobre:
What is Ethical Fashion?
Fashion Revolution Brazil
O que é Fair Trade (Comércio Justo)
Livro Consumo consciente, comércio justo
De Bangladesh às lojas, roupas baratas que custaram vidas
Low wages, unsafe conditions and harassment: fashion must do more to protect female workers
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