Agora sabemos: A indústria têxtil é a sexta que mais polui no mundo

junho 13, 2017

Nunca existiu uma classificação exata do impacto causado no meio ambiente pelas empresas de moda. Muitos cometeram o erro (eu inclusa!) de apenas reproduzir o que todos diziam sobre a classificação da moda em termos de impacto ambiental, e o que se sabia, é que era a segunda indústria que mais poluía.

Tentando achar dados

Enquanto escrevia meu TCC, senti bastante dificuldade em achar dados e fatos que fossem comprovados por A+B. Mas porquê isso? Primeiro que não existem muitas pesquisas nem investimento nessa área aqui no Brasil e dependemos da boa vontade das traduções, caso contrário, o jeito é aprender inglês, coisa que infelizmente a maioria dos brasileiros não tem acesso. Enquanto pesquisava referências, muitas delas (digamos que 80%) foram em inglês, ainda assim, era comum me deparar com afirmações sem dados que pudessem trazer verificação aquilo.

Estamos falando de uma indústria que lucra muito em cima disso. O fato da maior parte da produção ser terceirizada e em países de terceiro mundo só dificulta ainda mais obter esses dados de forma precisa e transparente. Seria só uma coincidência?

A poluição

The Global Fashion Agenda em parceria com o Boston Consulting Group, lançaram o Pulse of the Fashion Industry (Pulso da indústria da moda), um relatório extremamente detalhado e confiável, feito com bastante pesquisa, sobre os números que a indústria da moda apresenta. No relatório é possível encontrar vários detalhes sobre o processo de fabricação de peças de roupa, desde a quantidade de água e químicos utilizados, até o nível das emissões de carbono, tudo isso de uma forma dinâmica e compreensiva. De acordo com o site EcoCult, a indústria têxtil se mostra em sexto lugar de consequência da poluição. Abaixo, a lista das indústrias mais poluentes: 

1º Eletricidade e Calor (24.9%)
2º Agricultura (13.8%)
3º Transporte Rodoviário (10.5%)
4º Produção de Gás e Óleo (6.4%)
5º Pecuária (5.4%)
6º Têxtil (5.4%)

Apesar de estar empatada com a indústria têxtil, a Pecuária acaba ficando na frente, pois o ranking considera como fator de desempate a indústria que mais produz energia e calor. Apesar desses números parecerem mais otimistas do que era pensado antes do relatório, o que também deve ser considerado é que para produzir uma peça de roupa são necessários itens provenientes das industrias que estão acima da indústria têxtil, o que consequentemente diminui não só a poluição desse setor mas de outros. Dois ótimos exemplos disso são o couro e o algodão, que são matérias-primas de peças e passam por processos químicos pesados, prejudicando a área para cultivo e/ou as pessoas que trabalham na região.

Os trabalhadores 

Além da questão ambiental, existe um outro elemento, talvez o mais importante, que é afetado pela indústria: As pessoas. De acordo com esse mesmo relatório, mais de 50% dos trabalhadores não são pagos com o mínimo do salário, em países como India e Filipinas. Existem dois valores que são levados em consideração quando falamos desses pagamentos: O salário mínimo e o salário de subsistência. Se mais de 50% desses trabalhadores não recebem o mínimo para sobreviver, imagina aqueles que recebem o mínimo para viver? São muito poucos.

Mudando a situação

Com o olhar positivo e a frente, os pesquisadores acreditam que mudar e pressionar as marcas pode fazer diferença não só na moda, mas também servir de exemplo para outras indústrias. Abigail Dillen, vice presidente da organização sem fins lucrativos Earthjustice, citou em uma entrevista: 

"A indústria da moda tem um excelente papel a desempenhar na conscientização sobre mudanças climáticas, bem como sendo líder em soluções que agora estão finalmente disponíveis".

Existem muitas marcas produzindo com material reciclado, algodão orgânico, mão de obra ética e se responsabilizando pelo descarte correto, mostrando mais uma vez que podemos mudar o futuro da moda. 

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