Como surgiu a cultura do consumo e a felicidade através das compras

julho 18, 2017

"Penso, logo existo". 

A frase icônica do filósofo francês René Descartes, certamente se encaixará melhor no nosso modelo de economia atual se modificada para "Consumo, logo existo".

Consumo esse que faz empresas, corporações, economias e até mesmo governos avaliarem o tamanho do valor que temos como consumidores, mas nunca como cidadãos ou seres humanos. É tratado, visto e levado mais a sério quem mais possui e quem mais consome, ou se não consome, criam meios que façam a pessoa acreditar naquilo como parte de sua sobrevivência. 

Afinal, quantas vezes não sentimos pressão para consumir algo devido a sociedade em que estamos inseridos? Se tornou um verdadeiro campeonato, onde quem tem mais, vence. Só que não.

Acredito que muitos dos problemas atuais passam a fazer mais sentido quando descobrimos a sua origem e seus motivos, e com isso em mente, comecei a estudar ainda na faculdade sobre a cultura do consumo. Eu achava que tinha total controle das minhas decisões, mas a verdade não é bem essa, existem razões históricas e sociais que nos levam a ser quem somos hoje e para nos tornamos conscientes sobre esse consumo é muito importante entender da onde vem o consumismo, como ele surgiu e sua relação com as pessoas. 

Tudo indica que a sociedade de consumo como conhecemos deu sua primeira aparição com a Revolução Industrial, mais especificamente durante sua segunda fase. Com a industrialização a todo o vapor e as produções acontecendo de maneira cada vez mais rápida, era também necessário um incentivo para que as pessoas passassem a consumir em maior velocidade. 
Após a segunda guerra mundial, os EUA inicia uma nova fórmula para incentivar a economia (ou melhor, o consumo), fase muito bem sintetizada pelo economista Victor Lebow, conhecido até os dias atuais pela sua passagem em 1955:

"Nossa economia produtiva requer que o consumo se torne nosso modo de vida, a convertermos o ato de comprar e usar bens como rituais, que tenhamos satisfação pessoal e espiritual ao consumirmos. Precisamos consumir, queimar, substituir e descartar em uma velocidade muito rápida."¹ (Leia versão original em inglês)

A partir de então as pessoas começam a serem vistas muito mais como consumidores do que cidadãos e aquele que consome mais, ou "incentiva" a economia, são visto com melhores olhos em sociedade. Com isso, a publicidade e o marketing passa a vender não só o item de necessidade, mas também o item para consumo de felicidade. 

Afinal, quantas vezes já compramos algo não por pura necessidade, mas também como merecimento próprio? junção do objeto com uma fantasia particular do consumidor, leva até hoje, a comprar por essa ideia de felicidade ou de satisfação com o ato. 

É muito importante descontruirmos esses valores e entender a origem do consumo, não só para a saúde mental mas também para ver nossa real importância em sociedade. Não somos apenas consumidores, somos acima de tudo, cidadãos. 

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